Por uma dessas coincidências estranhas, encontrei pelo meu caminho dois motociclistas que apresentavam uma tatuagem no pescoço escrito “Tudo Passa”. As duas estavam tatuadas abaixo dos capacetes de tal maneira que dava para lê-las claramente. Nas duas ocasiões, as li porque estava sentado no carona de veículo que me conduzia. Portanto, do lado esquerdo do motociclista. Cheguei a pensar que fosse o mesmo motociclista, mas os pontos de contato ocorreram em distâncias díspares. Um, na Marginal Pinheiros — de trânsito parado — e outro no meu bairro, na Zona Norte, igualmente.
Para não apostar que o que fosse coincidência parecesse uma espécie de mensagem enviada pelo Destino, imaginei que a frase fosse uma espécie de divisa que os motociclistas usassem como uma referência da profissão de entregadores de aplicativo. Eu mesmo a usava e a projetava mentalmente para conseguir superar os períodos de trabalho pesado quando era funcionário de uma banda atuando “roadie”. Mas o que poderia perguntar é: “o tempo passa?”. Seria como um rio em que me posiciono num ponto e o tempo seria como a água que passa por mim? Ou sou eu que apesar de estar parado passo pelo tempo? Quando eu passei pelos motociclistas me tornei o tempo instantâneo em que gravei a frase “tudo passa”? Ou passamos juntos pelo tempo em que o trânsito estava parado?
Devaneios… pelos quais passo. Quem passa pelo o que? O que eu aprendi é que o tempo como uma espécie de fotografia a qual pode se acessar a imagem não tem exatamente esse poder de eternizar o seu significado. Não apenas porque o observador é diferente um de outro. Além disso, por trás do que se vê, há os movimentos invisíveis, a verdade oculta, o fato real que a construiu. Disso, eu sei…
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